terça-feira, 2 de julho de 2013

17º, 18º E 19º DIAS - GARIBALDI E REDONDEZAS



Complementando as informações do post anterior, o jantar de ontem foi realizado na CIC – Câmara da Indústria e Comércio de Garibaldi, o nome do evento era: “Homens na Cozinha” e no jantar, além da Vaca Atolada (Ensopado de Carne de Gado e Mandioca) e do rocambole de carne citados no post, rolou uma salada básica de tomate, alface e palmito e um Risoto de Ervas. Como disse no referido post, tudo estava ótimo.

Antes, ao chegar na casa do Marcos, havia no ar o cheirinho de bolo recém retirado do forno. Trouxe recordações.

Café da manhã com frutas e bolo foi o máximo! Tinha mais, mas não precisava só o bolo resolveria. Comi vários pedaços.

Conversando sobre os planos do fim de semana, no jantar de ontem, tinha dito a Marcos que gostaria de visitar uma vinícola artesanal e por coincidência, havia entre os convidados um amigo dele proprietário de uma Micro-Champanharia. Marcos então marcou com ele para irmos conhecê-la.

Estava frio, fomos de carro. Encontramos com Gilberto Pedrucci no local marcado e após as apresentações pegamos uma estrada secundária com destino a Presidente Soares. Durante o percurso, aproximadamente 20 quilômetros, ele contou sua história.

Enólogo ha muito de uma grande vinícola de espumantes, resolveu produzir seu próprio espumante e após procurar, descobriu e se interessou por uma velha vinícola desativada que estava à venda. Após as negociações de praxe ele conseguiu arrematá-la. É claro que não foi tão simples assim, maiores detalhes lá no site da vinícola.


A paisagem peculiar mostrava vinhedos vazios devido a entressafra. Nesta época as parreiras hibernam economizando energia e nutrientes para a época de produção de folhas e frutos. Mesmo assim, o vale iluminado pelo sol que eficientemente afastara as nuvens, mostrava toda sua exuberância.


A simpática estrada de terra remete a época em que o transporte era precário e a maioria dos vinicultores morava e laborava no mesmo lugar. O conjunto de propriedades era religiosamente guarnecido por capelas ou pequenas igrejas, muitas construídas pelas mãos hábeis desses trabalhadores do vinho.



Após agradáveis bons minutos chegamos à vinícola.

Uma construção dos tempos da imigração italiana, erguida em pedras lavradas cujas dimensões quase iguais permitiram perfeito assentamento dando beleza e segurança a construção. Pedrucci teve de reformar o imóvel e nesse trabalho procurou preservar o máximo possível do existente


Com o apoio de apenas um empregado ele administra, cria e produz seus espumantes nesse único ambiente.


Foram muitas informações para apenas uma manhã e provavelmente vou esquecer alguma coisa, mas em resumo o vinho é colocado em um grande barril de aço inoxidável e ali fica por um determinado tempo em um processo químico natural.


Depois é engarrafado e descansa por mais tempo após o qual, com a garrafa de boca para baixo (rémuage), passa por um processo de resfriamento (fermentação) em que todo o resíduo é concentrado e congelado junto a boca (método Champenoise – fermentação na garrafa). Este Método Champenoise é utilizado na elaboração dos sempre famosos Champagnes. Pelo método Charmat, são feitos os espumantes de menor qualidade.



A etapa seguinte, Dégorgement, é tirar a tampa provisória para que esse resíduo seja expulso pela pressão do gás carbônico formado no processo. A finalização do espumante é colocar a rolha, a grade de segurança (esqueci o nome) e os rótulos do pescoço e barriga da garrafa.

Foi uma aula em que nota-se a emoção e boa vontade de Pedrucci em nos passar todas as informações, esclarecer dúvidas e matar curiosidades.

Mostrar que nossos produtos quando bem feitos podem e são muito bem qualificados no exterior também fez parte dos ensinamentos. Há pelos vinhos e espumantes nacionais uma boa quantidade de prêmios que com certeza nossos enólogos têm conhecimento, mas infelizmente poucos ajudam a divulgar deixando-se levar pela doutrina de que o que vem de fora é sempre o melhor.

Apenas para ilustrar, em um evento relacionado com a mais importante exposição do setor na região, foi servido vinho importado.

PODE ISSO ARNALDO?

Mas havia mais uma etapa do complexo processo à cumprir e este, com certeza o melhor. Degustar os espumantes Pedrucci foi para mim, que sou mais de vinhos, uma experiência bastante agradável.


Estou muito longe de ser um expert, mas com as dicas do enólogo consegui sentir a diferença de sabores e aromas das amostras oferecidas, estavam excelentes.

Aqui ficam meus agradecimentos ao casal Marcos pela oportunidade e à Pedrucci pela aula.

Retornamos e a paisagem mesmo que revista, novamente nos chamou a atenção. O sol estava mais forte e a manhã cinzenta estava se transformando agradavelmente.


Voltamos para a cidade, deixamos Pedrucci em casa e fomos almoçar em um simpático e honesto restaurante à quilo na avenida principal. Com exceção da polenta com queijo derretido, esqueci o nome, as demais opções não eram novidade. Estava bom.

Voltamos para casa e como combinado pegamos as motos para um rolé nas redondezas. Iniciamos pela estrada em direção à Bento Gonçalves, passamos por Pinto Bandeira, uma cidadezinha bastante simpática e seguimos a direção dos Caminhos de Pedra.


Paramos na Casa das Massas e do Artesanato (34-3455-63-68) onde fomos muito bem atendidos pela dona do estabelecimento.


Trata-se de uma casa construída em madeira na época em que os italianos imigraram. Os equipamentos da fazenda, a roda d’água, o pilão entre outros, ainda existem e funcionam.

Além do café quentinho provamos e adquirimos alguns biscoitos salgados, muito saborosos. Quase todos os produtos são feitos na propriedade e os que não são, tem origem nas redondezas. Doces, massas, geleias, molhos, etc. em diversas texturas e sabores não nos deixavam ir embora.

Alguns metros à frente, na casa vizinha, construída nos mesmos moldes da anterior e diversas outras da região. Na Casa da Tecelagem (54-3455-63-93) se produz peças fabricadas em teares rudimentares da mesma época. Com poucas modificações devido ao desgaste do passar dos tempos. Todos estão como se estivessem sido construídos há pouco tempo e funcionando.


Como de praxe, fomos atendidos muito bem pelas duas funcionárias da casa. Não só recebemos todas as explicações de funcionamento como as vimos produzir alguns centímetros de peças que após sua conclusão estarão expostas e sendo comercializadas na grande sala ao lado, junto com as demais.

Continuamos nosso passeio em direção a Garibaldi, mas dessa vez passando pelo Vale dos Vinhedos; que já conhecia da viagem anterior.

Estávamos cansados. O por do sol na janela da casa dos Marcos estava indescritível. Tentei registrar, mas a foto abaixo está bem aquém da realidade.


Não houve jantar. Por opção nossa resolvemos finalizar a noite conversando, degustando os salgadinhos adquiridos no passeio, cubos de Parmesão e rodelas de salame, ambos também da região. Simone bebeu vinho e nós o Jack que trouxera do lado uruguaio do Chuí.


Mais um delicioso café da manhã cujo item principal não deixara de ser o bolo feito por Simone, que mesmo passadas mais de 24 horas, permanecia macio e gostoso.

O sol brilhava como há muito não se via e o calor emanado, mesmo que pouco, era sentido com prazer.

Enquanto aguardávamos a O Casal Marcelo para um almoço especial ligou e juntou-se a nós os Montagna. Um casal bastante simpático e divertido que reside muito mal (hehehe!!!!) em Gramado para onde ele transferiu sua fábrica de componentes elétricos. Uma caipirinha para eles, uma dose de Jack para mim e com a chegada dos Marcelo nos dirigimos, de carro, ao restaurante escolhido, evento agendado no dia anterior. O acesso se dá pela Estrada do Sabor.



Trata-se da sede de uma propriedade rural com, se não me engano, 10 hectares de terras produtivas. É delas que saem os produtos servidos no restaurante comandado pela matriarca da família.


Do pai, falecido há alguns anos, guardam as ferramentas com que trabalhava, caçava, sustentava e defendia sua família.


As modestas instalações guardam quase tudo da época e garrafas diversas dos anos passados. Localizada no porão da casa sede, está em bom estado de conservação e mostra alguns itens como o fogão à lenha, o móvel aparador, a chaleira, etc.


Não é só chegar, entrar e sentar, você tem que agendar, pois os pratos são feitos à conta dos comensais que só podem ser no máximo 30.

A casa também abre para eventos.

Raissa, a caçula que administra o estabelecimento e atende ao público, explicou que o número é reduzido para que todos recebam atendimento especial e consigam conversar entre si ou com os que ali trabalham sem atropelos.

Formada em turismo, ela conta histórias que não se recorda por ser muito pequena na época, mas transmitidas a ela por sua mãe, a chef que com suas mãos elabora as iguarias servidas, cujo maior fruto e orgulho foi ter formado suas três filhas.

A filha do meio, que conheci após o almoço ao visitar a cozinha, é Pedagoga. Nos fins de semana ela auxilia a mãe na cozinha junto com outra senhora contratada. Nos dias de semana trabalha em uma escola de Garibaldi.

A terceira, que não conheci é a que comanda os trabalhos rurais da propriedade. Agrônoma estava em casa cuidando dos gêmeos recém-nascidos.

Todas muito educadas e simpáticas. Se fosse dar uma nota pelo atendimento não poderia ser menor que 10.


Iniciamos os trabalhos espalhados pelo grande salão de pé direito baixo e piso de terra batida. Enquanto conversávamos, a fim de abrir o apetite, degustamos três deferentes tipos de aperitivos, uma espécie de licor artesanal nos sabores de “Murta (fruta), Nêspera (do caroço da fruta de Nêspera) e de Nosin (casca de nozes)

Acompanhava Polenta Brustolada que são polentas sob queijo da casa derretido e rodelas de salame também da casa; servidos pelo pai dos gêmeos.


Após muito papo fomos convidados a sentar à mesa. Em poucos minutos iniciou-se o tão esperado banquete. No começo estranhei a pouca quantidade, mas depois entendi que o motivo é para manter a comida sempre quente e por isso os pratos eram substituídos frequentemente, mesmo não estando totalmente vazios. O limite é sua vontade e espaço.

Primeiro serviram uma salada com verduras frescas, rodelas de maça, gomos de tangerina, estrelas de Carambola e lascas de queijo.




Depois, uma espécie de sopa de capelletti ou agnollini cuja massa estava bem macia e o sabor muito bom.


Seguiu com a Carne Lessa que é uma carne cozida na sopa, bem saborosa.


Não parou por aí, sem mais nem menos surgiu a minha frente um delicioso Frango ao Molho, eleito por mim o melhor dos muito bons itens servidos. Junto veio o nhoque com pedaços de linguiça.


Mais uma saborosa carne feita em panela de ferro via bacon, com legumes cozidos. Batata, cenoura e cebola.



Fechou as opções, mas não o almoço a Fortaia, uma espécie de omelete de espinafre. Excelente, lembrou os tempos quando conseguiram me fazer gostar dessa simples, mas deliciosa iguaria.


Tudo isso regado com um excelente Caberne Sauvingnhon Pedrucci.


Estávamos bem servidos, mas ao vislumbrar a mesa onde nos aguardavam delícias da mama, não havia como não procurar um cantinho para a sobremesa. Mesmo eu que não sou afeito a doces, achei.

Sorvete caseiro, calda de amoras, pudim de laranja, sfregolá, figo e abóbora cristalizada. Tudo feito na casa.


As colombinas, o nome do restaurante da Famiglia Odete Bettú Lazarri, é uma iguaria feita de massa de pão. Não faço a menor ideia do sabor, pois as guardei como lembrança, mas devem ser deliciosas com manteiga, queijo, salame ou simplesmente pura.


Se desejarem mais informações e opções da região, consultem:



Nos despedimos, os Montanha foram para Gramado, Os Marcelo para Caxias do Sul e nós fechamos esta minha passagem por Garibaldi em casa, conversando e iniciando as tratativas para uma nova viagem, no máximo daqui há dois anos, para o Chile.

Antes de dormir, fazer as malas com uma ponta de tristeza e iniciei os preparativos para o dia seguinte pegar a estrada cedo, pois Marcos tinha um dia de labuta e eu não queria atrasá-lo.



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