quinta-feira, 13 de julho de 2017

BUNDA LÊ LÊ...


Caros escassos e embirrados leitores,

Pensei e muito antes de tecer essas mal traçadas linhas afinal, foram muitos a comentar sobre o ocorrido no último sábado em São Januário após o Portentoso Flamengo, mais uma vez e incontestavelmente, derrotar os donos da casa.

Cenas há muito desgastadas de selvageria, ignorância e crueldade com aqueles que realmente amam esta cidade, estado e país.

O jogo em si não foi lá essas coisas com exceção ao lance do gol, poucas boas jogadas e o fato de os Vices terem batido muito. Normal dentro do cenário atual com a abissal diferença “técnicadministrativaeconômica” entre os oponentes.

O que me fez ser mais um a fazê-lo foi o fato de dos que li, vi e ouvi, nenhum trouxe novidades ao que se vem falando faz tempo. Ninguém acrescentou soluções efetivas, o que me fez pensar que novas catástrofes poderão ocorrer a qualquer momento já que o pouco que se tem feito não tem resolvido.

Sendo assim, um dia após nosso embriagado ex-presidente teve efetivada sua primeira, das muitas que virão, condenações, fato que nos fez por o assunto deste texto em segundo plano, (VICE DE NOVO!!!), resolvi me meter onde não fui chamado.

Li, vi e ouvi pessoas de gabarito como comandantes da polícia, doutores do Ministério Público, similares da justiça, jornalistas, dirigentes, jogadores, técnicos e comentaristas esportivos. Todos fizeram bonitos discursos, muitos contundentes até, mas tudo a mesma ladainha de sempre: a culpa é dos dirigentes que são coniventes, das torcidas organizadas, do diminuto efetivo policial designado para o evento, da falta de estrutura dos estádios, etc.

As “soluções” apresentadas e as poucas implementadas nada fazem para melhorar o cenário de horrores que estamos sujeitos a cada evento esportivo.

1 - Interdição de estádio? Ora, os bandidos se deslocam para a nova praça ou mesmo lá já há outros preparados e armados para agir impunemente. Não se esqueçam de que bandidos que torcem pelo Flamengo, Vasco, Corinthians, Santos e demais animais de outras agremiações já têm histórico de crimes em vários estádios do país.

2 - Um posto avançado do Poder Judiciário em cada estádio nada adianta se os detidos são liberados em questão de minutos. Isso quando os crimes não acontecem fora dos estádios.

3 - Identificação biométrica? De que adianta se ninguém é identificado ou se o é, não há equipamentos em TODOS os estádios para reconhecê-lo

4 - Revista física na porta dos estádios? Ora, poupem-me! Como revistar criteriosamente milhares de pessoas só na patolagem?

E o que sempre digo, como em tudo neste maravilhoso e rico país, quase sempre, querem resolver um problema com medidas anódinas. Ninguém vai ao cerne da questão; o que para mim é um erro crasso e fato cristalino como vodca quente.

É sabido (e está na ladainha supra citada) que hoje e há muito tempo, com o atual nível de tecnologia que temos a disposição, já é possível identificar um a um, cada um dos meliantes envolvidos em cada conflito. Muitos já foram e preenchem inúmeras fichas esquecidas nos fundos de grandes gavetas nas delegacias do país.

Fato!

A pergunta ridícula que faço é:

“O que esses marginais ainda estão fazendo perambulando pelas ruas das cidades?”

Este é o ponto a ser discutido e, pasmem, é onde está a solução de TODO o problema. Não só esse como muitos e mais importantes outros, dos quais este é uma das consequências, como veremos abaixo.

É triste, mas é fato que a maioria dos baderneiros e bandidos infiltrados nas torcidas organizadas pertence às classes menos favorecidas, certo? Sendo assim, uma medida para AJUDAR na solução seria termos ingressos mais caros, com isso a probabilidade desses marginais frequentarem os estádios diminui.

“Mas aí você está discriminando os milhões que não são baderneiros, mas também são desfavorecidos!”

Diriam os defensores dos direitos humanos e afins.

Eu poderia responder:

“Então levem os baderneiros para casa e lhes deem as condições que tanto exigem. Quem sabe não resolvem o problema!”

Mas prefiro ser mais educado e dizer que o preço caro do ingresso deixaria de sê-lo se esses milhões tivessem mais escolas, hospitais, infraestrutura básica e oportunidade de trabalho que os permitisse pagar não só pelo ingresso, mas também por casa, saúde, segurança, comida, transporte e lazer decentes. E isso não seria difícil se prendessem os bandidos, principalmente os políticos e empresários que roubam nossa grana desde 1500 (de Cabral à Cabral, sem descanso).

Entretanto a história nos mostra claramente que nos últimos pouco mais de 500 anos isso não foi possível.

Quem sabe nos próximos? Você quer esperar? Eu não!

Como ainda vivemos em um país “livre” “democrático” e capitalista, é um direito do clube criar e implementar sua política de preços. E é claro que privilegiar o sócio torcedor é a intenção clara e, dentro do cenário socioeconômico em que vivemos, o correto e inteligente. Afinal, o clube de futebol não é ONG!

Com isso, só nos resta tentar manter o sofá na sala de outra forma.

As reais soluções para este problema seriam simples e fáceis de implementar:

1ª e principal – Vontade de resolver o problema. Vocês da imprensa, os técnicos, os jogadores, as autoridades e sei lá mais quem vivem tecendo tratados e mais tratados, teses e antíteses para resolver a bagunça. Criam diversas pseudo maneiras de resolver o problema, mas ninguém realmente bota o pau na mesa e toma uma atitude. São essas e outras que deixam os cidadãos de bem encurralados em suas gradeadas casas, faz com que os riquinhos e seus filhos necessitem andar acompanhados de seguranças, enquanto os baderneiros andam de bermuda e camiseta ostentando seus fuzis 24 horas por dia, durante 365 dias por ano. E você se acha o bam bam bam porque tem uma SUV blindada.

TOLINHO!!!

Se continuar assim, eles que, covardemente ou não colocam o dito cujo em nossas bundas, vão mandar sempre.

2ª – Perda de 15 pontos (ou mais) para os dois clubes envolvidos ou apenas àquele cuja torcida que criou a baderna (caso do Vasco sábado). Quase sempre quando os baderneiros agem seu clube já está mal das pernas no certame. A retirada desses 15 pontos evitaria o possível título e quase confirmaria o rebaixamento. Se o baderneiro realmente ama o clube como “bosteja” ou ao menos tem respeito próprio, não vai querer ser sacaneado pelos rivais pela perda do título ou rebaixamento. Simples não?

3ª – Mas se o baderneiro está cagando e andando para isso e continuar fazendo merda, a solução ainda é simples e barata. Prender os bandidos! Por que lugar de bandido é na cadeia (trabalhando, quebrando pedra, carregando sacos de cimento, ou misturando concreto para a construção de escolas, hospitais e presídios, sustentando sua estadia na jaula) e não solto. Quem deve andar solto é cidadão de bem.

Acrescento ainda que, diferente do que pensam os filósofos, sociólogos e antropólogos de plantão, culpa não é das torcidas organizadas e sim das autoridades que inventam um monte para sanar o problema, mas prender bandido que é bom, nada. Como os bandidos nunca foram presos, eles se infiltraram nas organizadas, as dividiram em pelotões espalhados pelo país e as transformaram nisso que está aí. Se tivessem feito o simples e básico, prender bandidos e mantê-los na cadeia; hoje estaríamos ovacionando as torcidas organizadas pelos mosaicos, faixas, bandeiras, cânticos e coreografias que é o que elas faziam e muito bem quando as autoridades eram um pouco mais sérias e os bandidos eram encarcerados sem dó nem piedade. Erros eram cometidos, é verdade, mas o cidadão de bem tinha a liberdade que hoje com toda a democracia não têm.

Estou falando APENAS no âmbito sócio esportivo. Correto? Não venham colocar palavras não escritas em meu texto. NÃO há entrelinhas aqui!!!


4ª – Medidas com resultado mais a longo prazo, mas nem por isso menos importantes também deveriam ser tomadas. Uma que acho primordial seria por em cheque a política antidrogas. Sim meus caros ficar de papinho furado pelos cantos como estamos fazendo é querer segurar bosta com as mãos. Todo mundo sabe o que vem, de onde vem, como vem e para onde vai. Todo mundo sabe e milhares sofrem as consequências desse vai e vem desenfreado e SEM CONTROLE. Todo mundo sabe que as medidas antálgicas que se vem tomando nada tem feito para sanar os graves e contundentes problemas inerentes a esse comércio. Então, já passou da hora de assumirmos o problema de frente, acabar com o mimi e resolver a “porratoda” de uma vez por todas. Não sou expert no assunto, mas sei que como está não vai mudar é o velho e surrado:

SE VOCÊ QUER RESULTADOS DIFERENTES, NÃO É FAZENDO O MESMO QUE VEM FAZENDO QUE VAI CONSEGUIR OBTÊ-LOS, PORRA!!!”

FATO!!!

Sem me aprofundar no assunto, penso que o lógico seria regularizar todo o processo, desde a aquisição de sementes, passando pelo o cultivo, pelo transporte e distribuição das drogas leves. Isso geraria mais impostos, mais empregos e com certeza diminuiria em muito a criminalidade que impera no país, principalmente na aprazível e falida cidade do Rio de Janeiro.

Mas antes, como o câncer da violência já se encontra em estado de metástase, é necessária uma medida urgente de contenção da doença, ou seja, prender e manter na cadeia todos os bandidos envolvidos. Desde os de menor escalão até os de colarinho branco, principalmente os políticos safados (redundância).

Enjaulá-los e fazê-los quebrar pedras, carregar sacos de cimento ...

Reparem que tudo passa por prender bandidos sendo assim, é necessário que a polícia seja bem aparelhada e bem remunerada e para isso é preciso verba. Mas verba é o que mais temos nas milhares de contas fantasmas localizadas nos diversos paraísos fiscais espalhados mundo a fora. É só ir lá e pegar tudo de volta.

Sei que não é simples assim, mas para bom e inteligente entendedor, isso basta.

É necessário também que a polícia tenha autonomia para agir independente de direitos humanos, essas coisas que bandido adora e o cidadão de bem, que paga imposto não tem.

É provável que erros venham acontecer nas ações dessa instituição, mas há quanto tempo erros vêm sendo cometidos em forma de assaltos, arrastões, assassinatos, balas perdidas e etc. enquanto ficamos presos em nossas casas dedilhando nas redes sociais palavras de ordem sem nenhum resultado prático?.

Até a próxima!


quinta-feira, 6 de julho de 2017

SER BRASILEIRO É...


Outro dia estava levando Boris para esvaziar quando ocorreu uma insólita confusão.

Perto da minha casa há um cruzamento que foge todas as regras de trânsito. Os carros circulam em quase todas as direções e é preciso muita atenção aos que passam por ali. Principalmente dos pedestres que raramente são respeitados nessa luta desleal e diária contra as bicicletas, motos, carros, ônibus e caminhões.

Eu aguardava pacientemente minha vez de atravessar quando uma senhora com seus quarenta e poucos anos, em seu carro importado, mesmo me vendo quase no meio da rua continuou em frente buscando, onde não existia, espaço para passar entre mim e a calçada. Assustei-me e como aquele não havia sido um bom dia despejei parte da minha ira sobre a dita cuja, porém sem utilizar palavras de baixo ou alto calão.

A discussão pouco durou, mas o curioso é que um motorista dessas vans que transportam crianças para a escola resolveu se meter tomando as dores da madame. Com este fui menos polido, mas nem tanto. O pior adjetivo que utilizei para qualifica-lo foi:

“Ignorante!”

A discussão terminou quando ela apontou o carro para a garagem de um prédio próximo e eu segui em frente, chateado.

Chegando em casa, após o banho e as devidas tarefas caseiras, sentei no sofá e enquanto aguardava mais um jogo do meu querido Flamengo revi toda a história e verifiquei que daria um belo texto.

Redigi as seguintes palavras com a intenção de deixar na portaria daquele prédio para ser entregue a dita cuja.

“Senhora,

Após o pequeno imbróglio em que estivemos envolvidos e ainda surpreso com suas palavras resolvi voltar a cena do “crime” a fim de verificar se eu estava errado como você insistiu em dizer. Chegando lá constatei o que não era novidade já que passo por ali quase todos os dias, alguns deles duas vezes para levar meu cão Boris para esvaziar.

Trata-se de um cruzamento de vias atípico, pois os carros surgem de várias direções e exatamente por conta disso há placas e faixas de “PARE” em todas as direções; o que ilustra o alto grau de periculosidade do local. Essa periculosidade se agrava, pois não há em nenhuma das direções sinal luminoso ou faixa para a travessia de pedestres o que é surpreendente já que por lá passam diariamente, além dos moradores, algumas centenas de trabalhadores que labutam na região. Região que dispõe de inúmeras empresas, de vários portes entre elas dois supermercados, vários restaurantes além de alguns prédios das organizações Globo.

Ou seja, gente é o que não falta.

Na situação em que estivemos envolvidos eu aguardei a passagem dos carros e quando achei seguro iniciei minha travessia. Foi aí que a senhora surgiu e mesmo me vendo insistiu em passar entre mim e a calçada. Assustei-me e recuei ficando exposto aos demais carros que vinham de outra direção.

Encurralado e vulnerável, o que justifica o tom de voz bastante alterado, porém tentando não ser mal educado, entre outras coisas citei a lei de que o pedestre por ser mais fraco tem a preferência, assim como bicicletas, motos e carros a têm entre si na relação menor x maior. Ou seja, o mais fraco tem a preferência.

Básico!

A senhora insistiu argumentando que isso não existia e ainda recebeu o apoio de um motorista de van escolar a quem chamei de ignorante por também não conhecer tal lei.

Argumentou ainda que era moradora de um prédio próximo, como se este fato a abonasse das besteiras que faz ao volante ou a pé. Eu repliquei citando o óbvio, eu também moro na região e nem por isso fico fazendo besteiras por lá.

Em casa fui ao pai dos burros, o Google e em poucas tecladas achei o seguinte texto, grifos meus:




A preferência ao pedestre não é absoluta, como alguns pensam. Embora exista uma regra de responsabilidade, segundo a qual os condutores de veículos são responsáveis pela segurança dos pedestres (artigo 29, § 2º, do CTB), o próprio Código também prevê as situações em que, efetivamente, os pedestres terão a prioridade de passagem na via: quando estiverem realizando a travessia nas faixas delimitadas para esse fim (as faixas de travessia de pedestres, zebradas ou paralelas, são tipos de marcas transversais, constantes da sinalização horizontal de trânsito, conforme previsão do item 2.2.3.d. do Anexo II do CTB). 

Além disso, faz-se a ressalva de que, nos locais em que existir sinalização semafórica, tanto o condutor do veículo quanto o pedestre devem atender às luzes respectivas, para alternar o direito de passagem (neste aspecto, destaca-se que a sinalização semafórica tem como função, justamente, controlar os deslocamentos – item 4.1. do Anexo II). Como prevê o parágrafo único do artigo sob comento, caso o pedestre já tenha iniciado a travessia, os condutores deverão aguardar que ele chegue com segurança até o passeio, mesmo após a mudança do sinal semafórico, liberando a passagem dos veículos.
A desobediência ao artigo 70 pode configurar uma das infrações de trânsito previstas no artigo 214, que amplia o direito de passagem do pedestre também ao condutor de veículo não motorizado, nas seguintes situações:
I – que se encontre na faixa própria;
II – que não haja concluído a travessia mesmo que ocorra sinal verde para o veículo;
III – portadores de deficiência física, crianças, idosos e gestantes;
IV – quando houver iniciado a travessia, mesmo que não haja sinalização;
V – que esteja atravessando a via transversal para onde se dirige o veículo.





Ou seja, eu estava correto em quase tudo que disse e onde não estava o bom senso, a educação, a civilidade e o respeito substituem em muito a ausência de uma lei especifica citando o absolutismo da preferência.

Sua arrogância insistindo em um possível erro de alguém não a autoriza a mata-lo.

Sim, afinal quem joga o carro sobre um pedestre não pode estar querendo fazer outra coisa a não ser mata-lo e mesmo que tenha razão em seus argumentos isso é crime.

Substitua o carro por uma arma...

Provavelmente eu não estaria aqui escrevendo...

Até por que, a senhora não deve ser o suprassumo da ordem e obediência às leis, como todo o brasileiro não o é. Assim como seu comparsa (quem apoia assassino é o que?) motorista da van, também abusado, ignorante e arrogante. Ele, de nós três provavelmente é o que mais infrações comete. Só no embarque e desembarque das crianças, parando quase que 80% das vezes em local proibido, fila dupla, muitas vezes tripla diariamente em frente aos prédios e escolas da cidade.

Mas não para por aí! Supondo que seu argumento de que por morar no local está isenta de se submeter à lei e da ordem, informo que sou proprietário na região faz mais de 30 anos, provavelmente mais tempo do que a senhora e mesmo que não, não é um e sim DOIS imóveis que sou proprietário nesta rua sendo assim, se não for por longevidade, será por mais posses que, nesta absurda lei criada pela senhora, tenho mais direitos.

Provavelmente a senhora e seu comparsa passam bons momentos preocupados com o rabo dos outros criticando, por exemplo, a corja de políticos e empresários que usurparam e ainda usurpam nossas riquezas, ou à segurança do estado (que estão contribuindo para piorar) sem reparar no próprio rabo.

Seu comportamento e de seu comparsa ilustram bem a tese de que o brasileiro é um povinhodemerda que só sabe viver sob o cinismo do jeitinho, câncer que corroe as entranhas deste maravilhoso e rico país.

Resumindo, a senhora ao volante é mais contundente do que uma bala perdida e pior, não é a única e ainda por cima, vota.

Passar bem!”

Prezados e escassos leitores, não sei se a missiva chegou a seu destino, vou aguardar os próximos capítulos e se houver novidades retorno para mantê-los atualizados.

Obrigado pela paciência!


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

FELIZ 2017


Estou atrasado, muito! Mas fazer o quê?

Realmente é muito doido, em palavras menos coloquiais eu diria:

“É complicado!”

Faz tempo que queria retornar a este democrático espaço, mas nada me dizia o suficiente para gastar velhos neurônios, ainda sadios, para tentar entender o suficiente a fim de arriscar tecer mal traçadas palavras. Nem que tortas, mesmo que incertas linhas.

Economicamente o país está literalmente “namerda”. Salvo alguns otimistas de plantão que insistem em dizer que as coisas estão melhorando, mas o que mais cresce mesmo é o número de desempregados. Só esse ano, mais de 1 milhão de incautos fizeram engordar as filas do Ministério do Trabalho em busca do famigerado Salário Desemprego”.

A politica, como iceberg que mostra seu pico descongelar devido a pseudo bonança que experimentamos, na realidade esconde sob o mar de futuras delações o verdadeiro estado crítico em que vivemos faz tempo.

A coisa é tão complexa que empresas ditas como símbolo de época ou país, como a Rolls Royce (tradicional montadora de carros e turbinas da Inglaterra) estão envolvidas no escarnio.

São muitos os membros desta “famigerada” classe que mofa nas cadeias e presídios do país. Coisa que eu, mesmo nos sonhos mais otimistas pensava em presenciar.

O Congresso cria leis redundantes e/ou anódinas cujo resultado duvidoso esculhamba mais ainda com a pequena e mal instruída cabeça da “enorme maioria” do povo brasileiro.

Para que a Lei Maria da Penha? Já não era claro que bater (sem consentimento; sim porque tem umas que gostam da coisa, chama-se sadomasoquismo) em mulher não era atitude correta e deveria ser repreendida como qualquer outra agressão.

Para que a Lei da Ficha Limpa? Já não era claro que não só os políticos, mas qualquer brasileiro que rouba, mata ou afim não deveria poder exercer outra atividade além de tarefas exclusivas de presos de qualquer espécie?

Para quê a Lei da Infância e Juventude? Já não estava claro que bater, maltratar ou exercer qualquer atitude degradante a menores é crime e deve ser tratado como tal?

O que dizer dessa onda de “proteção” as chamadas minorias, que nada mais é do que uma forma discriminatória de trata-las?

Pois é, foram criadas essas e outras leis que pouco de útil trouxeram ao dia a dia do brasileiro desempregado, que continua ignorante, apanhando, sendo discriminado, sofrendo bulling, passando fome e com a saúde precária.

Por que se gasta neurônios, recursos e tempo criando novidades como ONG’s, incentivos fiscais ou alimentando instituições beneficentes, que atendem a poucos quando a solução é lógica, simples, barata e pasmem, está na Constituição?

Com certeza seria bem mais fácil manter funcionando escolas, bibliotecas, museus, postos de saúde e hospitais e fornecer infraestrutura básica a TODOS os brasileiros, sem exceção; provendo-lhes condições iguais de sobrevivência e obtenção de resultados pessoais e profissionais compatíveis com o seu esforço, independente de qual minoria ou maioria fizesse parte.

Colocar, e principalmente manter, enjaulados todos aqueles que de alguma maneira contribuíram ou contribuem, para que essas regras não sejam cumpridas.

Isso geraria menos violência, menos ou nenhum morador de rua, menos ou nenhum vagabundo e menos ou nenhum criminoso. Permitiria maior poder aquisitivo, mais compras, mais vendas, mais produção industrial e agrícola e pasmem, mais empregos; alimentando um circulo de prosperidade.

Os ricos de origem honesta continuariam ricos e receberiam a companhia de outros, a classe média deixaria de ter que arcar com todos os custos, assim como os pobres seriam poucos, mas de vida digna.

Pois os ricos de origem duvidosa estariam TODOS trancafiados ou em vias de; com seus bens interditados, suas contas bloqueadas e ralando, quebrando pedras ou construindo hospitais, escolas ou infraestrutura básica para pagar o seu sustento na cadeia.

Na esfera judicial, o Exmo. Sr. Dr. Moro, a Polícia Federal e Ministério Público continuam unindo esforços a fim de limpar o cenário da corja de safados, imorais e amorais que há tempos pilham nossos cofres; enquanto o STF, ainda sob influência de poucos, não é raro ter seus olhos vendados em detrimento de milhões.


Nem vou falar do recente acidente (?) sofrido pelo Exmo. Sr. Dr. Teori Zavascki. Respeitando-se o lado pessoal e claro, a dor da família; ele ora quase santo pelos de memória curta que se já esqueceram que exerceu papel relevante nos Embargos Infrigentes do escândalo do Mensalão, ou ao defender os senhores José Dirceu e Delúbio Soares quando o Exmo Sr. Dr. Moro os “acusou”. Sem falar no caso da escuta da conversa entre o ex-presidente e sua sucessora, no famoso “Tchau querida!”, entre outros. Certo que teve atuação positiva no decorrer dos trabalhos da Lava-jato, mas o passado é contundente.

Nossa segurança se esvai como diarreia entre os dedos devido a má gestão de governadores e prefeitos que espoliaram seus estados e cidades e como verdadeiros assassinos fizeram muitos perderem a vida esquecidos nas filas dos hospitais ou esquinas das ruas pelas balas perdidas ou não, disparadas por bandidos que a Polícia mal paga, mal aparelhada e parcialmente corrupta deixa de prender.

Os que estão presos se digladiam e morrem aos quilos, o povo oprimido pelas novas medidas econômico fiscais acha justo enquanto incoerentemente os que lutam pelos direitos humanos defendem os primeiros esquecendo-se dos segundos.

Como esbulho de suas violentas e selvagens batalhas os bandidos recebem auxílios assistencialistas cujo montante supera os R$ 2.500,00 enquanto verdadeiros trabalhadores, muitos vítimas desses bandidos, nem metade recebem pelo esforço honesto dispendido diariamente. Sem esquecer das benesses recebidas por familiares que perderam seus parentes nessa guerra de animais.

Os valores estão perdendo sentido a cada nude nas redes sociais. Jovens se perdem nessas postagens esquecendo-se de que a tecnologia atende a todos inclusive àqueles que irão avalia-los no ingresso da vida profissional.

O absurdo é tamanho que Vemos famosos mexendo no DNA de seus embriões a fim de torna-los melhor tirando a espontaneidade da sábia mãe natureza.


Estamos nos acostumando com a situação. Estamos perdendo totalmente a noção e baixando o nível moral ao fazer do exemplo que vem de cima nosso norte e então agir de maneira tal que deixaria rubros de vergonha ou inveja muitos dos que hoje presos em Curitiba, condenamos. Todos em busca do poder e dele usufruir em benefício próprio.

Como bem disse o poeta paranaense, Paulo Leminski:

“O poder é o sexo dos velhos!”

E eu, modestamente complemento:

“Com o passar dos tempos, tornou-se dos moços também!”

E a vida, apesar de dura e aquecida pelos raios solares, volta ao quase normal estado de letargia em que vivemos desde 1500. Ou antes.

O circo começa seu espetáculo com o futebol que inicia sua temporada com a Copa São Paulo de Futebol Junior e as pré-temporadas dos times profissionais. Sem esquecer a fase de compra e venda de jogadores em um mercado desigual e intrigante, pois o pé de boi de um time pode ser o craque de outro em um piscar de olhos e tilintar de moedas.

Quando, em sã consciência pensaríamos que a solução do nosso futebol estivesse nos pernas de pau dos países vizinhos? Hoje se compra castelhanos aos quilos enquanto nossos escassos melhores jogadores tornam-se imigrantes milionários em terras distantes.

Dos grandes e badalados eventos de 2014 e 2016 sobraram como legado, os elefantes brancos, restos do Maracanã e de obras mal feitas e superfaturadas. Tudo previsto por alguns, mas já esquecido por milhões.


Mais uma vez, respeitando a dor de todos os envolvidos, causa-me estranheza que a bela ação do mundo em torno das desventuradas 71 vidas perdidas no acidente do vôo da Lamia, aquele que levava jogadores e membros da equipe técnica da Chapecoense, seja tão grande, mas não se multiplique diante das milhões de outras vidas perdidas dia após dia, de incautos brasileiros que sobrevivem, sabe Deus como, às “leis” desiguais e controversas de nossa mal interpretada Constituição.

E está chegando o Carnaval. Eterno marco anual do início das sérias atividades do país.

As modelos “fake”, como ETs, esculpidas em borracha com quilos de silicone espalhados pelo corpo já começam a despontar em seus minúsculos trajes incitando os fracos ao som do samba que deixou, faz tempo, de ser uma tradição popular para ser comércio puro.

Na contramão disso tudo, a Vênus de Prata lança sua “tradicional” vinheta com personagens vestidos...

Plim plim!

Enquanto suas novelas e séries mostram cenas tórridas de sexo quase explícito além de outras de pura apologia ao homossexualismo, violência, discriminação, etc.

Sim meus caros, estamos perdendo valores e criando verdades incoerentes e delas desfrutando como marionetes nas mãos hábeis dos mesmos. Estamos perdendo total noção do que é certo ou errado. Vivendo ao som eletrônico de bate estacas, matando a sede com energéticos enquanto poucos roubam e passam a mão na nossa bunda rindo de nossa cara.

Tá gostando?

Posta nas redes sociais...

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

UM BALANÇO ENTRE TANTOS OUTROS


Senhoras e Senhores, escassos leitores.

Cá estou!

Novamente, após algum tempo só urubuservando os acontecimentos desde a última postagem.

Foram dias movimentados com o andamento claudicante da Lava jato e suas investigações coirmãs além do natural jogo de empurra na (in)definição do impedimento de nossa, agora Ex Sra. Presidenta (ops!) da República, o aparente tranquilo início de mandato do governo chamado de Golpista e o circo há muito armado para fazer-nos esquecer da realidade de nossas eternas mazelas.

Não posso esquecer o, para ainda surpresa de poucos, possível envolvimento de nosso ex-operário, ex-presidente e ainda cachaceiro (dizem), nas falcatruas dos últimos 13 anos; ou mais.

Entre os alfarrábios gerados pelas últimas e contundentes delações premiadas surgiram entre as figurinhas carimbadas de sempre, nomes nunca dantes imaginados envolvidos. Temos entre os citados, pasmem, até um Ministro do STF. Aquele que, se não me engano mandou soltar meia dúzia de safados, na época recém condenados.

As peças do imenso e trabalhoso quebra-cabeça vão se encaixando e a imagem que vai se formando é indescritivelmente podre e fedorenta.

Ainda mais depois da forma como se deu o resultado do referido impedimento. Destituíram a Presidente, mas a deixaram se candidatar novamente. Assim ela permanece com foro privilegiado e abre brecha para que Eduardo Cunha se beneficie da mesma forma. Tudo isso, segundo os entendidos, contrariando a Constituição Federal e sob as vistas do Sr. Presidente do STF que presidia este “julgamento”.

Se assim for, foram mais de 8 meses gastos em vão, nessa palhaçada.

Que vergonha!

Pobre e rico país que sofre desde 1500 na mão de gerações e mais gerações de safados, sem vergonhas impunes em um extrativismo nunca visto.

E, há sete anos recebemos o que deveria ser um presente. O direito de sediar as Olimpíadas de 2016.

Lembro que a maioria dos brasileiros sentiu-se orgulhosa pela oportunidade enquanto a minoria entendia que não seria oportuno.

Eu tinha a convicção de que apesar da oportunidade impar não estávamos preparados para o feito. Até porque havia coisas mais importantes em que se gastar o tempo e dinheiro previstos, que seriam em muito superfaturados, mesmo com o suprimento de alguns itens como o que seria o 1º aquário de animais marinhos do país.

Itens vergonhosamente esquecidos pelos de pouca memória e grande capacidade de sambar, cantar e encher a cara...

As luxuosas preliminares trazidas na realização dos Jogos Pan-americanos de 2007 e da Copa de 2014 mostraram que eu não poderia pensar diferente. Foram dois exemplos de gastança, roubo, superfaturamento que, deixaram de legado enormes elefantes brancos a pastar grande parte de nossas riquezas.

Sem falar que esportivamente, os reais objetivos de cada evento (que estão longe de ser: “O importante é competir”), respectivamente, a conquista de medalhas e da taça, deixarem vergonhosamente de ser cumpridos por nossos atletas.

Na realidade nós montamos e mantivemos o play para os outros brincarem, se divertirem e saírem rindo de nossa cara levando todos os prêmios.


Começavam a vir à tona as primeiras denúncias no âmbito esportivo. Figurões da área foram presos, entre eles o Então Presidente da CBF. Isso fez com que o vice, borrado nas calças, deixasse de sair do país para cumprir agenda com medo de ser preso também. Maior confissão de crime não há e o safado permanece solto


E mais uma vez, voltamos a nossa vidinha de gado marcado e “feliz”; comendo pão velho, aguardando o próximo circo.

O tempo foi passando... e gol da Alemanha!

Boa parte das obras na Cidade Maravilhosa aliadas as inúmeras inconvenientes SUVs, tumultuava a vida dos cariocas divididos e dessa vez cabreiros com o que estava por vir.

Eu e outros estranhávamos que entre o sumiço de inúmeras e imensas vigas metálicas do viaduto da Perimetral e os inúmeros e imensos canteiros de obras espalhados pela cidade, apesar da conhecida e já bolorenta cupidez de nossos políticos e empreiteiros e os até então passos bem sucedidos dos Exmos. Srs. Drs. Joaquim Barbosa e Sérgio Moro; nada se falava. Parecia que no caso específico dessas obras, estávamos em outro país.


O tempo foi passando... e gol da Alemanha!

O mundo mostrava-se mais violento na ação de terroristas intangíveis amedrontando aqueles que acreditavam que a neutralidade do Brasil tinha um limite e que o cenário que estava sendo armado para 2016 seria ideal para a comprovação.

Não estava só neste sentimento e por ele estava triste. Tínhamos certeza de que seria mais uma oportunidade de evolução perdida na mão dos mesmos; normal, mas a possibilidade de uma tragédia era muito. Mesmo para quem já estava acostumado com as constantes chibatadas que a história socioeconômica vinha esculpindo nosso lombo, desde as travessuras de nosso John Walker, Pero Vaz de Caminha, com a índia Potira, a bisavó de Tainá.

O tempo foi passando... e gol da Alemanha!

O país mostrava ao mundo mais de nossas mazelas, que mesmo há muito escaldado pela nossa esperteza, ficou estarrecido ao conhecer o tamanho de nossa incapacidade de gerir.

Conseguimos quebrar a maior de nossas empresas e com ela outras não menos conhecidas ainda caminham ao mesmo destino.

O tempo foi passando... e gol da Alemanha!

A maior potência do mundo continuava sua guerra contra todos na busca de petróleo, enquanto iniciava sua principal campanha eleitoral.

A Chanceler ou seria Chancelera?) da Alemanha colocava a Grécia de castigo e elevava seu país à líder inconteste do continente.

E por falar nisso... gol da Alemanha!

Enfim, faltavam 100 dias para o início de mais um circo. Os tolos se animavam cada vez mais. Pareciam cães ao ver se aproximarem cadelas no cio. A mídia começava a esquecer do mundo, literalmente, e intensificava o processo de venda de seus produtos à havida matilha, aumentando o número de canais.

Tal lavagem fazia dos tolos cada vez mais tolos ao esquecerem a origem, destino e paradeiro de cada centavo fruto única e exclusivamente de sua labuta.

Estavam como macaquinhos, cegos surdos e mudos, para o mais velho e bem sucedido plano de roubo impune já (des)conhecido na milenar e amoral história da humanidade.

Simples...

O tolo trabalha e paga impostos, parte dos quais, destinados às obras de um evento em que ele vai pagar para assistir.

O cara paga duas vezes pela mesma coisa e ainda sai rindo, cantando e sambando. Isso quando não se aborrece pelo resultado ou qualidade do evento.

E os que ficam com a melhor parte dessa bitributação permanecem impunes desde Cabral, o português.

E todos ficam felizes para sempre...

Não existe golpe mais inteligente. Concorda?

A cada atentado que acontecia na Europa aumentava a preocupação de alguns, eu inclusive. Por conhecer nossa natural incapacidade de gerir qualquer coisa, incluindo segurança, eu sucumbi ao medo e decidi passar ao largo de qualquer competição.

Com acessos novos, reluzentes e exclusivos à Família Olímpica, o evento teve início.


As estreias de nossos times feminino e masculino de futebol foram antagônicas.

A cerimônia de abertura foi uma agradável surpresa, apesar da interpretação do Hino Nacional que deveria ser mais pomposa e retumbante. Tocado ao violão, mesmo que por Paulinho da Viola, é um desmerecimento a uma música tão bonita.

A pira olímpica emoldurada pela belíssima escultura móvel de Anthony Howe não deixou de ser o ápice da festa, mas teve severa concorrência em diversos momentos.


Os jogos seguiam e eu via pela televisão, com uma ponta de frustração, o que o tempo permitia.

Uma oportunidade impar me deixou percorrer o trajeto entre a Tijuca e o Centro Olímpico, na Barra da Tijuca confortavelmente, sem percalços e em pouco mais de uma hora. Em Ipanema fiz a transferência para a bela e novíssima Linha 4 do Metrô e no início da Barra outra para o BRT. Eram muitas pessoas, mas tudo fluía tranquilamente.

No Centro Olímpico, as bonitas arenas estavam cheias e o imenso espaço entre elas, destinado ao lazer e praça de alimentação, só pecava pela ausência de árvores; o que para um país tropical e dono (?) da maior reserva florestal do mundo, é um furo enorme! Sorte que estava nublado.

Não pude conhecer todas as arenas e entendo que poderia haver uma maneira de isso acontecer, mesmo que para os sem ingresso. Algo como fazem com a Estátua da Liberdade em Nova York onde você entra, sobe, desce e sai; sem parar. Não sei se seria viável, mas seria interessante. Com certeza ia ter um espertinho a tentar burlar a segurança para assistir ao jogo... normal Faz parte do DNA.

Já sem o receio inicial, visitei as areias de Copacabana e poucas casas típicas e achei tudo ótimo! A atmosfera de alegria era contagiante; parecia que estávamos em outro país. Tudo limpo, bem cuidado, as pessoas educadas e solícitas, não jogavam lixo no chão; quase um paraíso.

Vi muitos jogos pela televisão e a empolgação da torcida, mesmo quando cantavam aquela musiquinha piegas que diz que o cara é brasileiro com muito orgulho e amor, era contagiante.

Fico imaginando se isso realmente fosse verdade...

Seríamos outro povo e consequentemente outro país e bem melhor, com certeza.

E quando cantavam o Hino Nacional? Em pé, peito estufado, mão no coração... Eu ria por dentro de tanta falsidade. No esporte são patriotas, no dia a dia da vida um bando de espertos, sem educação, sem civilidade ou censo de coletividade.

Quando podia fugia das transmissões da Vênus Prateada, os medalhões de sempre há muito deixaram de narrar os jogos e ficam conversando abobrinhas com os comentaristas. Não é raro perderem lances importantes do jogo. A falta de profissionalismo passava do limite no choro de cada rara medalha ganha. Parecia que eles é que tinham feito todo o esforço da conquista.

Não sou expert em quase nada, muito menos esportes, apesar de gostar muito, mas vou me arriscar e tecer alguns comentários, sem entrar em detalhes.

Parabenizo de pé o esforço de cada atleta que, conquistando ou não medalhas, mostraram que é possível. A maioria deles chegou aonde chegou sem apoio, sem estrutura, com sacrifício próprio, de familiares e/ou amigos. Os medalhados, a maioria desconhecidos de origem humilde, que nunca haviam sido convidados para nada, nem para o cafezinho com o Escobar, cansaram de dar entrevistas, assustados com tanto assédio.


Esses sim, os verdadeiros heróis...

A canoagem, digo, o rapaz da canoagem, proporcionalmente conquistou mais medalhas que o país. E o rapaz do salto com vara fez o inesperado assim como a “favelada” do judô.

As claudicantes seleções masculinas de futebol e vôlei conquistaram cada uma sua esperada medalha de ouro. No caso do futebol enfim a 1ª na história. Sem desmerecer Neymar e seus meninos, mas a ausência de Messi ajudou bastante. Nem vou falar da “dificuldade” de uma semifinal contra a “tradicional” Honduras...

As meninas das seleções de vôlei, handebol e futebol começaram muito bem. Chegaram a ultrapassar os rapazes nos corações do torcedor, mas a tradicional inconstância emocional do brasileiro as fez sucumbir inesperadamente e nem perto de uma medalha chegaram.

As surpreendentes seleções masculinas de handebol e polo aquático chegaram além do esperado. Parabéns!

A natação junto com o atletismo, a vela, o judô e o vôlei de praia, mesmo com as medalhas brilhantemente conquistadas, foram, a meu ver, a decepção. É público e notório que esperávamos mais desses esportes.

A ginástica também trouxe medalhas inéditas e boas perspectivas para o futuro, mas a prata do Zanetti...

Os demais esportes tiveram o desempenho de sempre.

Resumindo, nosso desempenho, enaltecido pelos figurões e papagaios de pirata de plantão, elevou-nos a 13ª colocação (7 ouros, 6 pratas e 6 bronzes). Uma evolução em relação ao 22º lugar na Olimpíada anterior (3 ouros, 5 pratas e 9 bronzes), mas não deixa de ser pífio se considerarmos que o play era nosso, mas fomos os recordistas em últimos lugares (isso ninguém fala). Sem falar que somos mais de 200 milhões o que, com certeza, se bem nutridos, com saúde e estruturados teríamos bem mais atletas de alto nível do que essa meia dúzia de esforçados sobreviventes.

Talvez a situação melhore com a inclusão do surf em Tóquio 2020.

Rsrsrs!

Foram 16 dias de histórias. Belas histórias! Vitórias esperadas, outras brilhantes, sofridas derrotas outras, merecidas.

Dezesseis dias em que o mundo não existiu. Os telejornais só falavam dos jogos que seguiam vibrantes aos pés de Usain Bolt e braçadas de Michael Phelps (que juntos conquistaram mais medalhas que nós em toda nossa história olímpica, não se esqueçam, somos 200 milhões); enquanto a realidade caminhava mundo a fora. Pessoas morreram nas guerras, nos atentados, ou de fome ou ainda nas filas dos hospitais abarrotados. As escolas e universidades em greve, ou seja, normal...

As ruas quase que totalmente seguras faziam nos pensar que estávamos em país de povo civilizado.

Enquanto passeava com meu cão ou dirigia, me perguntava:

“Onde foram parar os flanelinhas?”

“Onde foram parar os pedintes e malabaristas?”

“Onde foram parar os mendigos com suas crianças abandonadas no colo?”

“Onde foram parar os pequenos vendedores de amendoins e balas?”

“Onde foi parar toda a sujeira que depositamos nas ruas e calçadas em vez da lata de lixo?”

Os pequenos punguistas quase que sócios atletas do Largo da Carioca desapareceram como que num passe de mágica...

Todos itens tão frequentes membros, há muito naturais de nosso cenário urbano.

E nova pergunta se formava em meus pensamentos:

“Por que não é sempre assim? O que nos falta para que esse cenário seja uma constante e não apenas em consequência de um mega evento?”

Os órgãos responsáveis pela segurança mostraram uma eficiência nunca vista, no caso do nadador americano Ryan Lochte. Eficiência de dar inveja aos pequenos ladrões de galinhas há séculos enjaulados em penitenciárias de segurança máxima enquanto gatunos profissionais de colarinhos brancos e cuecas elásticas desfilam por aí com suas tornozeleiras eletrônicas.

Não tenho dúvidas que o que falta a todos nós brasileiros, Povindemerda, é vergonha na cara.

Lembro que estão incluídos nesse rol que chamo carinhosamente de Povindemerda, os políticos, empreiteiros, empresários, profissionais liberais, brancos, pretos, amarelos, azuis, roxos, etc. que tenham feito algo prejudicial ao bom andamento da moral, civilidade e bons costumes... da ordem e do progresso desse imenso, belo e rico país.

As olímpiadas mostraram um brasileiro civilizado o que indica que é possível, mas nossa índole não permite. Nosso extinto de ter que levar vantagem em tudo, nossa esperteza muito bem traduzida no mundialmente conhecido Jeitinho Brasileiro são soberanos.

Não meus escassos leitores, não se trata de complexo de vira-latas, até porque essa “semi-raça” de cães é uma das mais nobres e que os cães, independente de raça são extremamente superiores em caráter, desapego e amor; a nós humanos.

Mas o circo ainda não foi embora. Ainda temos a Paraolimpíadas onde nossos heróis, mais uma vez farão o possível e o impossível para um resultado honroso.

O legado?

Confesso que estava reticente, mas não posso negar que mesmo não sendo ideal, ganhamos arenas, parques, bulevares, Veículos LENTOS Sobre Trilhos, ampliação do metrô e BRT (mesmo que projetos atrasados ha mais de 20 anos), além de longas e “seguras” ciclovias que serão usadas por poucos, apenas nos feriados e fins de semana, pois somos um país tropical, quente o suficiente para que os engravatados ou não nem pensem em deixar suas enormes, beberronas e inconvenientes SUVs na garagem para pedalar até o trabalho ao ar livre sob o risco de serem atropelados pelos que pouco respeitam as leis de trânsito.

Gostei muito do que vi e do que senti, mas sinceramente, não sei mensurar se o saldo é positivo ou não. Preciso saber o custo real disso tudo e ainda saber se esse custo não poderia proporcionar a cidade mais para a saúde e educação também.

Que passe o tempo para que as informações esclarecedoras venham à tona e que se arme o novo circo logo, pois já estou com saudades de me sentir um cidadão cercado de iguais civilizados.